Prezado Leonardo,
Agradeço pelo envio das lindas fotos!
Pela florescência dos pêssegos... Por reavivar o simbolismo dos pés de cerejeira abordado em sala de aula. Tudo em analogia ao processo do si-mesmo. As lindas paisagens me lembraram do poema "O Mistério das cousas" e me remeteram aos lindos sonhos de Akira Kurosawa.
O MISTÉRIO DAS COUSAS
(do “Guardador de Rebanhos” – Alberto Caeiro)
(do “Guardador de Rebanhos” – Alberto Caeiro)
O mistério das cousas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.
Akira Kurosawa
No seu caminho... Paz e bem!
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